Opinião
Clássicos Modernos
Um comentário e uma pequena apresentação gráfica do mais original regulamento de Clássicos na Europa
Por Ricardo Grilo
O regulamento para as competições de clássicos foi recentemente publicado na página da FPAK e marca uma verdadeira revolução pelo ineditismo que encerra. Ao contrário de toda a Europa, do Le Mans Classic, do VdeV e de todas as outras competições para clássicos que conhecemos, partir de 2009 as provas de clássicos portuguesas poderão ter à partida carros ditos "modernos", construídos até ao fim de 1986. É uma nova filosofia que cria corridas mistas de clássicos e modernos como é o caso destes veículos, que obedecem às normas do Anexo J de 1982, mais exactamente, dos Grupos N e A, produzidos até 1986. São viaturas de concepção muito mais avançada que os veículos da geração imediatamente anterior e, como é óbvio, não são considerados clássicos pela FIVA (que exige 25 anos de idade), nem pelas autoridades portuguesas que os obrigam a pagar o Imposto de Matrícula, ou mesmo pelo ACP Clássicos, que classifica os carros de 1986 como Futuros Clássicos.
Sem conseguirmos compreender totalmente o objectivo desta ideia, reconhecemos tratar-se de uma opção arrojada e inédita. Colocar carros modernos em competição directa com os clássicos, com os primeiros a ter desempenhos manifestamente superiores aos adversários clássicos, é uma opção que mudará radicalmente o panorama da velocidade em Portugal. Até agora, estes carros do Grupos N e A apenas poderiam correr no Open / CPR. Agora deu-se uma espécie de troca, pois os carros clássicos de Grupo 5 do anexo J de 1976 e os Grupo 6 do Anexo J de 1972 (por exemplo, Porsche 935 e Lola T292) apenas poderão correr no Open/CPR (com os protótipos e GT's modernos como o Saleen S7R, Juno SSE ou Lister Storm) e os Grupo N e os mais potentes Grupo A (como o Jaguar XJS, Volvo 240 Turbo, Rover Vitesse, Mercedes 190 E 2.3 16V, Holden Commodore, BMW 6.35, Ford Sierra XR4 Ti, Renault 5 Turbo, etc.) correrão ao lado dos "velhos" Escort RS 1600, Porsche Carrera RSR, Lotus Elan ou BMW 2002 Tii da categoria H74 ou H71.
Curiosamente, os carros de Sport do anexo J de 1968 (Lola T70, Porsche 906, Ford GT40, etc.) apesar de na prática serem equivalentes aos outros sport-protótipos que foram banidos, não são obrigados a correr no Open/CPR e podem continuar a correr ao lado dos clássicos e dos modernos Grupo N e A. Salgalhada que, convenhamos, não faz sentido nenhum!...
Para melhor compreendermos as novidades, elaborámos uma hipotética lista de carros de diversas classes que de acordo com a letra do regulamento, doravante poderão - ou não - ser aceites nas corridas de clássicos nacionais. Imaginem uma grelha de partida composta pelos carros assinalados com o "V" verde. Um Sierra e um Jaguar XJS na frente de um Lola T70, de um Volvo 240 Turbo, de um Alfa 75 turbo, de dois Escort RS1600, de um Renault 5 GT Turbo e de dois Porsche Carrera RSR. Não será um cenário por demasiado inverosímil para ser credível como "campeonato de clássicos"?
A quem se destina este regulamento, que melhorias aporta ao desporto automóvel, o que representa e a quem vai agradar são as questões que se põem. Até porque, quanto a nós, não faz sentido proibir carros mais antigos, verdadeiros clássicos, e admitir carros de concepção moderna.
Mas vejamos então a exemplificação gráfica dos possíveis futuros participantes:
Os Modernos
Carros de Grupo N e A, alguns com sobrealimentação e com potências acima dos 300 cv. Aspecto e concepção indiscutivelmente modernos e sem nada a ver com os carros das gerações anteriores contra os quais irão competir. Sem saber qual o objectivo desta abertura aos carros do Anexo J de 1982 (um verdadeiro corte com as regras anteriores e que, de algum modo, assinalou o início das corridas contemporâneas) ficam-nos sérias dúvidas sobre o interesse desportivo e histórico desta mescla de épocas, sem qualquer verosimilhança com as corridas do passado. Muitos já não se recordarão , mas a mim, só de o recordar, deixa-me arrepiado: no passado, esta mesma opção de acabar com os Grupos 1, 2, 3, 4 e 5 a partir de 1982, e de abrir a velocidade apenas para os Grupo N, A e B marcou "apenas" o fim do Agrupamento B na velocidade nacional (em 1984) para alguns anos mais tarde acabar também o Grupo N e A (entretanto transformados em troféus "quase-monomarca", com o domínio absoluto dos Sierra Cosworth) e o início de uma crise que se prolongou até aos dias de hoje! Vamos agora repetir o mesmo erro nos clássicos?
Analisemos então o calibre dos possíveis participantes:
Jaguar XJS

Audi 200 quattro
Mercedes Benz 190 2.3 16V Evo I

Alfa Romeo 75 Turbo

BMW 3.20 i

Volvo 240 Turbo
Ford Sierra XR4 Ti

Rover Vitesse
Holden Commodore
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Sport e Protótipos
Um dos casos mais confusos prende-se com os Sport e os protótipos, pois carros exteriormente semelhantes têm destinos diferentes no universo dos clássicos portugueses. Note-se que em termos internacionais, onde correram (ou correm) os carros de Sport também correram os protótipos. Assistimos aqui uma situação deveras original com a separação destes carros em corridas diferentes: Sport com os clássicos e Protótipos com os modernos do Open/CPR.
Descubra as diferenças:

Ferrari 330 P4
Porsche 906

Lola T70 MK III

Porsche 908 L
Lotus 62
Chevron B8
Ford GT 40
Porsche 908/2

Chevron B16

Ferrari 246 S
Chevron B21

Lola T292
Porsche Aurora 906
Vila Real 1971: apenas o Ferrari 512M seria aceite nos clássicos portugueses . Qual a razão?...

Vila Real 1972
Os Grupo 5
Outro caso interessante é o dos Grupo 5, pois apenas são aceites os carros com cilindrada até 2000 cc. Desse modo, poderá participar um Ford Capri 1.4 Turbo Zakspeed de 500 cv e com chassis tubular (um dos mais radicais Grupo 5 de sempre) mas não pode participar um simples Porsche Carrera RSR 3.0 ou 3.5, modificado para o padrão Grupo 5 pela Garagem Aurora ou pelos irmãos Almeras, como os que fizeram as alegrias de muitos aficionados portugueses entre 1978 e 1981.
Vejamos os exemplos:
Ford Escort Zakspeed, BMW 2002 Gr.5

BMW 3.20 (1.4 Turbo ou 2.0 atmosférico)

BMW 3.5 CSL

BMW 3.20 Turbo (versão final)

Porsche Aurora RSR e Porsche Almeras RSR

Porsche 935 A4 Almeras

Porsche 935 K3

Ford Capri 1.4 turbo

Ford Capri 1.4 turbo
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Que a ideia é inédita, não temos dúvidas, mas serão estes os clássicos que gostaríamos de ter?
A resposta fica em cada em um de nós...
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